O amor é um menino doidinho e malcriado que, quando alguém intenta refreá-lo chora, escarapela, esperneia, escabeija, morde, belisca e incomoda mais que solto e livre; prudente é facilitar-lhe o que deseja, para que ele disso se desgoste; soltá-lo no prado, para que não corra; limpar-lhe o caminho, para que não passe; acabar com as dificuldades e oposições, para que ele durma e muitas vezes morra. O amor é um anzol que, quando se engole, agadanha-se logo no coração da gente, donde, se não é com jeito destravado, por mais força que se faça mais o maldito rasga, esburaca e se aprofunda.

Trechos do livro A Moreninha - Joaquim M. de Macedo

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