Desatei os nós. Libertei pequenos sentimentos que agigantavam ressentimentos. Esvaziei os bolsos da culpa. Me desfiz de algemas disfarçadas de pesados acessórios. Joguei fora velhos discursos, falsas estórias, rostos desbotados, há tempos guardados. Vasculhei meus labirintos sem medo. Reencontrei velhos fantasmas que não mais me amedrontavam. Encontrei as chaves que aprisionavam o perdão. Quebrei as paredes dos porões da alma, para respirar, para deixar a luz entrar. Deixei de querer ser mártir, vítima, personagem. Me comprometi com a verdade. Essa verdade que não se mostra em fotos sorridentes. Fiz as pazes com a serenidade. Reconstruí minha casa na árvore. Parei de sabotar minha felicidade.

Renata Fagundes


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