Resenha: Movimento tropicaliano - Balduel de Almeida

Sinopse: O país Tropicália está comemorando os cinquenta anos do “Dia do Basta”, importante revolução, ocorrida no inverno de 2013, que desencadeou uma grande mudança para a população. E, para celebrar, uma das mais importantes figuras históricas foi convidada para uma entrevista no programa de TV do famoso apresentador Zé Eugênio. O Senhor Schimidt é ex-ministro da Justiça e participou ativamente daquela conturbada fase no país. Nesta bem elaborada entrevista, ele relata como o tão sonhado país se transformou após o Movimento Tropicaliano. Uma história fictícia, com nomes e personagens inexistentes, mas repleta de ideais que se confundem, e muito, com os do povo brasileiro. 

Balduel inicia o livro alertando: "Não se confundam, trata-se de uma história fictícia, com nomes e personagens que não existem. Tropicália é um país afastado, de um mundo distante em uma Galáxia longínqua". Mas já no primeiro capítulo nos damos conta de que de fictícia a história tem muito pouco.

Tropicália é um país de dimensões continentais, cheio de belezas naturais e com um povo alegre, apesar de todos os problemas. Já passou por longos anos de Ditadura Militar, tendo seus habitantes readquirido o direito de votar graças a muita luta e mobilização popular. Décadas depois, em meados de 2013, Tropicália vê novamente a população ir às ruas. A revolta do povo teve início devido ao alto preço do tomate, mas logo deu espaço a uma série de outras reivindicações. A corrupção, o descaso com a saúde e os gastos com a Copa do Mundo de Pimbolim de 2014 eram algumas das queixas da população, e o movimento ganhou força impulsionado, principalmente, pela rede social Vida em Vitrine.

"Tubos de dinheiro gastos em obras de estádios, em alguns casos verdadeiros elefantes brancos criados para atender as exigências da Federação Intercontinental de Pimbolim (FIP), enquanto antigos problemas continuavam sem solução: falta de segurança pública, serviços públicos de péssima qualidade, como o horroroso sistema de saúde".

As duas vozes ativas do livro são Zé Eugênio, um apresentador de programa de TV, e Sr. Bezerra Natal Schmidt, ex-ministro da justiça do Governo Tropicaliano e a trama se desenrola em forma de entrevista, 50 anos após o chamado "Dia do Basta". Cada capítulo consiste em uma pergunta de Zé Eugênio e da resposta de Schmidt. E assim a história se desenrola, relembrando o início do Movimento, seus desdobramentos e como se deu a chegado do Partido Ético Tropicaliano ao poder, com o consequente fim da corrupção em Tropicália.

Balduel usa um tema muito atual para tocar em vários pontos importantes política e socialmente, como as cotas raciais, os programas de distribuição de renda, educação, saúde e corrupção (não só a dos políticos, mas também a do dito "cidadão do bem", que acha que não há nada demais em pagar "um café" para se livrar de uma multa). Seus pontos de vista, tendo Schmidt como porta-voz, são muito bem embasados e explicados, mas deixam o leitor pensar e formar sua própria opinião.

O autor foi bastante criativo na escolha dos nomes de lugares, eventos, pessoas e instituições. A presidente Dominique, os estados de Águas de Março e Piratininga da Garoa, o Morro Germânico, a Sacola Família e a própria Copa do Mundo de Pimbolim, organizada pela FIP, tornam irresistível que o leitor os substitua pelos nomes reais e tão conhecidos pelos brasileiros. Mas a substituição é sem sentido, afinal, Tropicália só existe na ficção, não é mesmo? ;)

De leitura rápida e conteúdo inteligente, Movimento Tropicaliano é um livro que faz o leitor pensar, se questionar e se posicionar diante de situações tão importantes para cada um e para todos.

3 comentários:

  1. Adorei a premissa do livro e os pontos que você citou muito me atraíram, apesar disso não trata-se de um gênero ao qual eu me remeta com frequência, essa inclusive é a primeira resenha deste que leio, dito isso tentarei conhecer um pouco mais desse volume e ver se realmente gostaria de lê-lo, como sua resenha me fez crer.

    http://soubibliofila.blogspot.com.br/

    ResponderExcluir
  2. Oi, Carla!!!

    Nossa, que livro interessante. Pelo visto o autor apenas substitui fatos reais do Brasil por outros nomes como por exemplo, em vez do futebol colocou pimbolim.
    Acho bem legal por falar de várias coisas que fazem parte dos problemas do brasileiro como a corrupção, cotas....
    Adorei a ideia do livro. Parabéns pela leitura.

    Abraços!
    encantosparalelos.blogspot.com.br

    ResponderExcluir
  3. Oie Carla
    não conhecia o livro, mas pelo visto explora muito da realidade do nosso país, embora seja uma ficção.
    Gostei bastante, e se tivesse oportunidade não hesitaria em pegar pra ler.
    bjos
    www.mybooklit.com

    ResponderExcluir

Obrigada pela visita! Deixe seu comentário, sua opinião é super importante para nós.

© Entre Aspas - 2016 | Todos os direitos reservados.
Desenvolvimento por: Jaque Design | Tecnologia do Blogger.
imagem-logo