Resenha: Uma história de amor e TOC - Corey Ann Haydu

Sinopse: Bea foi diagnosticada com transtorno obsessivo-compulsivo. De uns tempos pra cá, desenvolveu algumas manias que podem se tornar bem graves quando se trata de... garotos! Ela jura que está melhorando, que está tudo sob controle. Até começar a se apaixonar por Beck, um menino que também tem TOC. Enquanto ele lava as mãos oito vezes depois de beijá-la, ela persegue outro cara nos intervalos dos encontros. Mas eles sabem que são a única esperança um do outro. Afinal, se existem tantos casais complicados por aí, por que as coisas não dariam certo para um casal obsessivo-compulsivo? No fundo, esta é só mais uma história de amor... e TOC.

Bea é uma adolescente de 16 anos que frequenta uma escola só para meninas. É filha única, mora com os pais e tem uma melhor amiga, Lish. Até aqui nenhuma novidade, apenas uma personagem comum de romances adolescentes. Só que Bea não é exatamente comum... Não consegue dirigir sem ter medo de machucar alguém pelo caminho, fica perturbada ao ter objetos cortantes por perto, belisca a perna para aliviar a ansiedade e mantém cadernos com longas anotações a respeito de determinadas pessoas e situações. Por conta de todo seu histórico, logo reconheceu quando um garoto estava tendo um ataque de pânico durante um apagão em uma festa de escola. Era Beck. Bea consegue acalmá-lo e os dois acabam se beijando.

Como a vida é cheia de coincidências, os dois acabam se reencontrando no consultório da Dra. Pat, terapeuta de Bea, que acha que será bom para a menina que ela passe a frequentar a terapia de grupo. O constrangimento inicial por sentirem que todas as suas "maluquices" - como eles nomeiam seus rituais - serão expostas a alguém por quem sentem-se atraídos, pouco a pouco dá lugar a uma crescente proximidade e a uma vontade de ajudarem um ao outro.

Narrado em primeira pessoa por Bea, o livro é mais uma história de TOC que de amor. De maneira intensa, Corey descreve exaustivamente os pensamentos obsessivos e os atos compulsivos da menina. Não é uma leitura fácil ou leve, a cada virada de página é possível sentir pelo menos um pouco da ansiedade incontrolável que acomete a personagem a maior parte do tempo. São raros os momentos nos quais ela vive uma vida considerada normal. 

Bea não é uma personagem fácil de agradar. Seus comportamentos não são saudáveis e ainda assim ela segue em frente com eles, dando muitas vezes a impressão de que não quer melhorar. Isso, talvez, incomode alguns leitores. Mas quem topa a experiência de mergulhar em sua história, quem aceita conhecer um pouco a respeito do TOC através de suas experiências, verá que não se trata de uma questão de vontade. 

O romance ocupa pouco espaço na trama, mas existe e, apesar de não ser fundamental, tem sua importância no desenrolar de algumas situações. Para mim, o amor do qual fala o título do livro esteve muito mais presente na relação entre Bea e sua melhor amiga. Lish sempre esteve por perto, muitas vezes até ajudando Bea a colocar em prática comportamentos que ela sabia que faziam mal. Ao perceber que o que ela via como apoio, na verdade, colaborava para manter e até piorar o quadro da amiga, Lish tomou uma atitude drástica, colocando em risco a amizade das duas na tentativa de efetivamente ajudar Bea.

Uma história de amor e TOC trata de um tema delicado e pouco compreendido por muitas pessoas. Acompanhar a história de Bea, Beck e dos outros adolescentes da terapia de grupo dá uma ideia do que é viver às voltas com comportamentos percebidos como absurdos, mas impossíveis de controlar, e com os prejuízos sociais causados pelo transtorno. Se o TOC afeta também aqueles que estão ao redor de quem sofre com ele, Corey nos mostra em seu final real e nada enfeitado (como todo o restante do livro) que o caminho para superá-lo fica menos assustador quando não é percorrido sozinho.





11 comentários:

  1. Excelente resenha, Carlinha!! Lembro que quando li foi exatamente isso, fui sentindo um pouco da ansiedade que a Bea descrevia. Vc sabe o quanto as atitudes dela me irritaram em alguns momentos. Mas nossas conversas e suas explicações de psicóloga quando ainda nem tinha lido o livro me ajudaram a ver a Bea, o livro e o TOC de um jeito bem mais compreensivo.

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  2. Oi, tudo bem?

    O assunto me chama muito a atenção e já faz um tempo que este livro está na minha whishlist. O fato de ser mais sobre TOC do que sobre amor já me agrada muito, pois a proposta de o leitor realmente conhecer a personagem é bastante rara mesmo em romances que propõem falar de doenças psiquiátricas. Com certeza, sua resenha me fez querer lê-lo ainda mais! :)

    Love, Nina.
    http://ninaeuma.blogspot.com/

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  3. Oi, Carla!
    Eu já vi algumas resenhas bem divergentes sobre esse livro. Mas quero muito ler esse livro.
    Deve ser horrível ter TOC e acho bacana que o livro mostra como as pessoas lindam com isso.
    Beijos
    Balaio de Babados

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  4. Já varias comentários sobre esse livro, alguns bons outros nem tanto. Mas achei a historia linda, já está na minha lista.

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  5. Já faz um tempo desde que vi comentários sobre esse livro em alguns blogs. Fiquei muito interessada.

    Beijos,
    Postando Trechos

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  6. Eu comecei a ler esse livro, mas não consegui terminar. Não gostei muito da escrita dele :c
    Adorei seu blog, e já estou seguindo! Achei muito lindo e ótimo o conteúdo. Poderia retribuir? Adoraria te ver no meu blog também: Blog Dear Maidy
    Beijos,
    Maidy Lacerda

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  7. Nunca li nada sobre TOC acredita? Mas pelo enredo parece ser bem interessante principalmente pra entender sobre essa doença!

    Bjs, Michele

    O que tem na nossa estante

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  8. Oi :D
    Esse livro faz parte da minha lista de desejados faz tanto tempo! Gostei de ler a resenha aqui.
    ps: adorei o cantinho de vocês *-* já estou seguindo.
    Bj


    @saymybook
    saymybook.blogspot.com

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  9. Que premissa bacana, acho que nunca li um livro que abordasse este tema!
    Diferente...fiquei interessada!
    Beijinhos,
    Alice
    www.wonderbooksdaalice.com

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  10. Olá, Carla.
    Eu gostei bastante do livro. Aprendi muito com a doença que eu desconhecia que era tão triste. Mas quanto ao amor da história, ele não existiu. Achei que a autora focou muito numa parte e esqueceu da outra.

    Blog Prefácio

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  11. Oi oi, tudo bem? Eu já escutei falar várias vezes desse livro, e vou te falar que esse nome me deixa bastante interessada e ao menos tempo intrigada por se tratar de um tema tão delicado e quase nunca tratado em livros literários! Fico extremamente curiosa para ler sobre! E sua resenha ficou realmente muito boa, estou gostando bastante do seu blog!

    Um super beijo!

    Lendo Distopias

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