Resenhando clássicos: Cinco Minutos - José de Alencar

Olá!
Hoje começo apresentando à vocês a nossa nova coluna: Resenhando Clássicos.

E por que logo os clássicos? Bem, às vezes, só lemos os clássicos da literatura brasileira em época de vestibular, e sempre são impostos livros densos e que se tornam chatos e tediosos. Porém, que tal dar uma segunda chance ou conhecer obras nacionais dos maiores escritores que já tivemos? 

Dizem os grandes jornalistas e professores que devemos conhecer essas obras por uma questão cultural e de valorização da mesma. Concordo! Pois conhecê-las nos permitirá ter um maior senso crítico em relação as nossas leituras. E começamos com José de Alencar e seu livro Cinco Minutos.

Sinopse: Um rapaz perde seu ônibus por cinco minutos e, ao entrar no seguinte, senta-se casualmente ao lado de uma mulher cujo rosto estava coberto por um véu. A moça permite que ele lhe segure as mãos e lhe beije o ombro. A fim de localizar sua amada misteriosa, o narrador vai descobrindo mais detalhes sobre sua musa e espanta-se com os recursos da moça para permanecer incógnita. Várias viagens são necessárias até que o mistério se resolva e o casal possa encontrar a felicidade.

Há quanto tempo não lia José de Alencar... E não sei como deixei de ler. Sábias e delicadas palavras que parecem ter sido desenhadas, meticulosamente, à medida que a história é narrada. Um doce e enebriante tempo nos é colocado de maneira intensa pelo personagem principal que nos conta seus breves cinco minutos, que se transformam em uma vida inteira de sentimentos misturados entre dores e alegrias, paixão e amor. Bem, história é contada através da leitura de uma carta que é lida pela prima do narrador (que nunca tem o seu nome revelado) e vocês apenas a conhecerão como "D.".
"Que me importavam o meu futuro e a minha existência se eu os sacrificaria de bom grado para dar-lhe mais um dia de vida? " (pág. 29)
Meu coração está a mil para lhes contar um pouco sobre este livro.
Este contendo poucas páginas, 43 para ser exata, com uma capa admirável, mesmo tendo lido em formato PDF
Respirando fundo e vamos lá!

Nosso protagonista, cujo nome o autor não nos conta a princípio, é um homem cheio de defeitos e poucas qualidades, e entre seus defeitos a falta da pontualidade. Assim sendo, por cinco minutos ele perde seus ônibus e é forçado a esperar o próximo, bem mais à noite.

Como de costume, ele busca um lugar ao fundo, e acaba sentando-se ao lado de uma jovem, a qual não conseguiu ver seu rosto encoberto pelo véu. E a emoção começa quando a misteriosa mulher lhe toca. E seus sentidos se perdem em uma viagem entre o perfume, a mão macia e uma atração irresistível que o toma por completo.

E sua imaginação de repente o alerta: seria ela feia? Velha? Pois o deixara tocá-la. Ou não? Seria bela como como uma rosa. Para decidir sem vê-la, pois o misteriosa donzela não o permitia, ele entra com sua teoria a cerca do perfume que ela usava.
"[...] tenho uma teoria a respeito dos perfumes. A mulher é uma flor que se estuda, como a flor do campo, pelas suas cores, pelas suas folhas e sobretudo seu perfume. [...] porque esse odor de sândalo foi para mim como uma revelação."
E nesta arte de sonho e fantasia, composta com um inspiração fugaz dos momentos fortes de acontecimentos recentes em sua vida pessoal como o sonho, a paixão, a intuição, a saudade e mesmo o desconhecido, nosso apaixonado segue em busca de sua amada. Não a tendo alcançado na descida do ponto do ônibus, a busca torna-se incessante em todos os lugares, ruas, praças, até que em um baile sua esperança é renovada ao ouvir a frase dita por sua amada desconhecida: " - Non ti scordar di me!" 

"De duas vezes que minha visão me tinha aparecido, só me restavam uma lembrança, um perfume e uma palavra!"
Gente, esse livro contém emoções fortíssimas de romance e agonia, rsrsrs. Mas finalmente ele a vê, fala para ela frases que o deixam confuso. E entre recebimento de cartas, e uma possível fuga para o esquecimento dessa paixão, eles realmente se encontram e se veem. E se amam através dos olhares e palavras. Sua amada Carlota, porém, tem um segredo que pode tornar toda essa alegria em sombras. E Carlota toma uma decisão de se afastar para o bem do casal. 

E mesmo entre momentos de tristeza e apertos no coração, o casal troca sentimentos dos mais sublimes que vão de frases sussurradas e por vezes cantadas, como a mais formosa melodia, até declarações escritas preenchidas por uma caligrafia caprichada com sensações que inundam todo o coração.



Ahhhh, o romantismo... Confesso: sou romântica de carteirinha. E os nossos personagens completam esse requisito com maestria e perfeição. Nosso amigo apaixonado parte em busca da realização de estar definitivamente com sua amada; com atitudes que a razão ignora e "o amor não compreende esses cálculos e esses raciocínios próprios da fraqueza humana; criado com uma partícula do fogo divino, ele eleva o homem acima da terra, desprende-o da argila que o envolve e dá-lhe força para dominar todos os obstáculos, para querer o impossível".

E ele consegue estar com sua Carlota. E sim, o amor dele por ela, por completo com seus bons e maus momentos supera o segredo e traz aquilo a que todos nós buscamos em segredo: motivação para viver. Resumindo: história linda, final emocionante escrito por um dos autores mais representativos do estilo romântico da literatura nacional. 

Falando nisso... Para o estudo da literatura, Cinco minutos abrange a maioria das características do Romantismo que inicialmente é apenas uma atitude, um estado de espírito, o romantismo toma mais tarde a forma de um movimento, e o espírito romântico passa a designar toda uma visão de mundo centrada no indivíduo. Os autores românticos voltaram-se cada vez mais para si mesmos, retratando o drama humano, amores trágicos, ideais utópicos, tais como neste romance.

Sobre o autor:



José de Alencar é um dos maiores representantes do Romantismo no Brasil e um dos principais nomes da literatura nacional. O autor ficou marcado por investir em uma literatura nacional, menos influenciada pelos colonizadores portugueses. Como resultado, as obras de Alencar apresentam a cultura do povo, a história e as regiões brasileiras com uma linguagem inovadora para a época. Trabalhou como jornalista, como muitos escritores, e teve atuação também na política, mas foi na literatura que recebeu maior reconhecimento. Elogiado pelos pares, ficou amigo de Machado de Assis, que o nomeou patrono da cadeira nº 23 da Academia Brasileira de Letras, fundada depois de sua morte.

É tradicionalmente classificado como um escritor do romantismo, mais especificamente da primeira fase do movimento literário. Mas suas obras chegam a apresentar características do movimento seguinte, o realismo. 
As obras do autor podem ser ainda classificadas como indianistas, históricas ou urbanas.


Boa leitura!


Beijos =*

16 comentários:

  1. Eu li 5 minutos no ensino medio, nem pretei muita atenção achei chato e tudo mais, só que eu to criando um carinho pelos classicos ultimamente, deve ser por causa da faculdade de letras kkkkkk ainda vou ler e TENHO que ler esse livro hahaaha
    http://b-uscandosonhos.blogspot.com.br/

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  2. Oi Carla,
    Gostei da dica do autor esse print da Carlota, achei gracioso demais. Vou até procurar no domínio...esse não foi indicado na escola aqui haha
    Linda resenha.

    tenha um ótimo domingo :D
    Nana - Obsession Valley

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  3. Oi Renata!
    Já tentei ler esse livro mas não passei das primeiras páginas... Isso já faz alguns anos, talvez seja hora de dar uma chance novamente, ainda mais depois dos seus comentários.

    Beijos,
    Sora - Meu Jardim de Livros

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  4. Oi, Renata!

    Confesso que eu tenho um certo trauma de clássicos. Não gosto de ler nada por obrigação, e na escola fui "obrigada" a ler alguns. Acho que as leituras obrigatórias de certas obras prestam mais um desserviço do que um serviço à literatura clássica brasileira. São obras muito rebuscadas e densas para adolescentes. Acredito que há outros modos de se estudar a literatura que não seja impor leituras que certamente desagradarão, pois adolescentes não têm maturidade para entender a maioria dos nossos clássicos.
    Eu estou com um projeto pessoal de ler alguns clássicos esse ano, espero cumprir.
    Esse livro em questão eu nunca li. Achei interessante e parece muita história para tão poucas páginas, bem legal.

    Beijo
    - Tami
    http://www.meuepilogo.com

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  5. Oi, Renata!
    Engraçado que não lembro de ter lido esse livro, mas lendo sua resenha, tive uma sensação de déjà-vu. Vai entender hahhahah
    Beijos
    Balaio de Babados

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  6. Oi Renata,
    Eu ADOREI sua nova coluna. Realmente, os clássicos muitas vezes só ganham destaque em nossas vidas na época de vestibular, mas tem muita coisa boa a ser descoberta.
    Não cheguei a ler esse livro, mas gostei da dica. Vou, com certeza, colocar na minha lista.
    Beijos
    http://estante-da-ale.blogspot.com.br/

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  7. Oi! Super legal o projeto, eu tenho certo trauma de livros neste estilo por conta das ditas leituras obrigatórias da escola, mas a dica está anotada para um momento que eu resolva fazer a leitura.

    Bjos!! Cida
    Moonlight Books

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  8. Adorei seu blog! Parabéns!
    Sucesso pra vc!
    Abraços,
    carolnagliati.blogspot.com

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  9. Oi, eu ainda não li o livro mas já li outros do autor e gostei bastante, achei muito interessante e já vou adicionar na minha lista enorme de livros para ler rsrs.

    bloglovecherry.blogspot.com

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  10. Oi, eu ainda não li o livro mas já li outros do autor e gostei bastante, achei muito interessante e já vou adicionar na minha lista enorme de livros para ler rsrs.

    bloglovecherry.blogspot.com

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  11. Esses livros clássicos são incríveis! Muitos estudantes acham chatos pois são obrigados a lê-los... e tudo que é obrigado se torna chato.
    Sua resenha vai ajudar muito quem está precisando de uma revisão pro vest!

    www.booksever.com.br

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  12. Olá Renata...
    Amo clássicos, peguei o gosto no ensino médio depois que tive que fazer uma peça de teatro sobre o livro a Moreninha, após isso nunca mais consegui largar esse amor.
    Já li esse livro e acho ele maravilhoso.
    Beijo

    Te Conto Poesia ♥

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  13. Oie...
    Adorei essa coluna, pois, eu AMO clássicos! Quero até te parabenizar por essa iniciativa porque hoje em dia raramente vemos alguém lendo essas obras por prazer, então, meus parabéns!
    Ainda não li essa obra de José de Alencar, mas, pretendo ler em breve. Já tenho até o exemplar :)
    Do autor já li "Senhora", que é meu clássico favorito <3
    Beijos

    http://coisasdediane.blogspot.com.br/

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  14. Ah, os clássicos são clássicos, né! Apesar de quando penso neles me lembra do ensino médio, bate até uma saudade haha; Esse livro nos perseguia, não tem como fugir, só resta gostar!

    Beeijo
    www.leitorasvorazes.com.br

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  15. Olá, Renata.
    Gostei bastante da nova coluna. Acho que se os clássicos não fossem obrigatórios, o povo gostaria muito mais hehe. Do autor só li um livro até agora e gostei bastante e esse eu não conhecia, mas me interessou.

    Blog Prefácio

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  16. Quando estava procurando resenhas e li "José de Alencar" meu coração apertou! Não conhecia esta obra e já estou louca para ler. Amei a sua resenha e o blog, já estou seguindo! ♥

    Café, Vodka e Literatura

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