Resenha: Shirley - Charlotte Brontë

Sinopse: Nas profundezas Yorkshire rural, Briarfield, por volta de 1811, as guerras napoleônicas causavam grandes transtornos. O comércio estava péssimo, comerciantes enfrentavam a bancarrota e usineiros como, Robert Moore, um jovem e ambicioso cavalheiro, se via forçado a lutar para manter o seu negócio. É neste cenário, em que a ordem social de toda a região estava abalada, que a vibrante, emancipada, inteligente e misteriosa jovem herdeira, Shirley Keeldar, retorna à mansão de Fieldhead. Obstinada, assim que ela toma posse da grande quantidade de terra, da casa e do imóvel onde funcionava o moinho de Robert Moore, muita coisa começa a mudar na região. Rapidamente se torna amiga íntima da órfã e delicada Caroline, uma menina muito bonita, sobrinha do reverendo anglicano Helstone. Shirley guarda um segredo, mas isso não impede que todos os homens elegíveis do município, assim que souberam de sua chegada e fortuna, lhe propusessem casamento. Exceto Moore que, preocupado com seu negócio, não dava muita atenção ao assunto, muito menos a uma das jovens que era secretamente apaixonada por ele. Intrigas, rebeliões, doenças, solidão, orgulho e paixão marcam este romance que, no final, os verdadeiros sentimentos, finalmente, vêm à luz e a verdade é descoberta. 

Quase todos os leitores já ouviram falar das irmãs Brontë, principalmente aqueles que têm o hábito de ler clássicos. Do trio, eu apenas havia lido O morro dos ventos uivantes, da Emily Brontë; Shirley foi meu primeiro contato com a escrita de Charlotte, também autora do famoso Jane Eyre.

Publicada pela primeira vez em 1849, a obra retrata o período histórico pelo qual passava a Inglaterra. O século era XIX, auge das Guerras Napoleônicas e também da Revolução Industrial. A mão de obra estava sendo substituída pelas máquinas, o que gerava um grande número de trabalhadores desempregados e revoltados. É nesse momento que conhecemos Mr. Moore, que luta para manter sua fábrica funcionando apesar das dificuldades financeiras e dos ataques que tentam impedir a chegada de novas máquinas em sua propriedade. A escrita de Charlotte é muito descritiva e detalhada, e nesses primeiros capítulos esses temas são bastante explorados.

Robert mora com a irmã Hortense, que recebe em casa a prima deles, Miss Caroline Helstone, para ter aulas de francês. A jovem de 18 anos é meiga, sensível e tímida. Orfã, vive em um presbitério com o tio, o reverendo Mr. Helstone. O amor platônico que nutre pelo primo determinará uma série de acontecimentos ao longo do livro.

A propriedade na qual se localiza a fábrica de Mr. Moore pertence a Miss Shirley Keldar, nossa personagem-título. Aos 21 anos e também orfã, Miss Keldar é bem diferente de Miss Helstone. Dona de uma grande fortuna, a jovem é descrita como muito bonita, além de ser ousada para os padrões da época, desafiadora e dona de si, atitudes consideradas masculinas. Aos que se dão ao trabalho de pedi-la em casamento, a resposta é sempre negativa.

Os caminhos das duas acabam se cruzando, fazendo com que se tornem grandes amigas. A partir daí, graças a escrita primorosa de Charlotte, as diferenças entre as duas ficam ainda mais evidentes. A autora presenteia o leitor com uma construção de personagens elaborada, fornecendo muitas informações a respeito da personalidade e das emoções das duas personagens.

O romance tem espaço no livro, e ao longo da trama vamos acompanhando o desenrolar do amor de Caroline, seu sofrimento, e também as escolhas de Shirley, mas ele não é o tema principal. As quase 400 páginas vem cheias de críticas à sociedade época, à certos temas religiosos e ao machismo e à posição que se esperava que as mulheres assumissem. Tudo isso é feito nas entrelinhas e com toques de ironia. Além disso, segredos escondidos de uma e guardados por outra trazem um ar de mistério para alguns momentos do enredo.

O livro conta com um número considerável de personagens, e nenhum deles está ali por acaso. Alguns são fundamentais para o desfecho das situações, outros são a personificação do que a autora quer criticar. Todos têm seu momento de destaque na trama, cuja narrativa ora foca em uns, ora em outros, permitindo que o leitor conheça mais a fundo cada um deles e os assuntos que a autora quis trabalhar.

Apesar de ser um clássico e escrito há tanto tempo, Shirley é um livro de leitura fácil. Se os primeiros capítulos podem tornar a leitura mais lenta, tudo muda com a entrada das duas protagonistas, que nos prendem com suas personalidades e pela nossa vontade crescente de conhecê-las cada vez mais e de saber o que está reservado para cada uma no final. 

A edição da Pedrazul em comemoração aos 200 anos de Charlotte Brontë está lindíssima e traz inúmeras ilustrações, conectando ainda mais o leitor à história. Para quem ama clássicos ou para quem tem vontade de conhecê-los, Shirley está recomendadíssimo.

*Livro cedido pela editora.

15 comentários:

  1. Oi Carla! Eu também li apenas O Morro dos Ventos Uivantes destas irmãs e o considero um livro maravilhoso. Gostei de ter uma ideia sobre esta obra e admito que fiquei com muita vontade de embarcar neste clássico. Ironia nas entrelinhas é algo que nunca deixo de admirar e apreciar neste tipo de obra.

    Bjos!! Cida
    Moonlight Books

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  2. Oi Carla,
    Preciso ler mais clássicos.
    Da autora só li 'O Morro dos Ventos Uivantes' e gostei muito. Então, até me animo a ler este. Ótima dica.
    Beijos
    http://estante-da-ale.blogspot.com.br/

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  3. Oi, Carla
    Realmente o começo pode ser meio parado, mas quando surgem as protagonistas tudo muda e o livro fica viciante. Amei esse livro e recomendo muito Jane Eyre, já que ainda não leu. Ele é ainda melhor!
    Bela resenha!

    Blog Livros, vamos devorá-los

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  4. Oi Carla!
    Eu já tentei ler O Morro dos Ventos Uivantes, mas desisti logo nas primeiras páginas... Por isso não teria interesse em ler Shirley :(

    Beijos,
    Sora - Meu Jardim de Livros

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    1. Oi, Sora! São livros de autoras diferentes e os enredos são bem distintos também! ;)

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  5. Oi Carla!!

    Nunca li nada da Charlotte Brontë, mas romances clássicos assim costumam ser ótimos! Fiquei morrendo de vontade de ler agora!!!

    Bjs, Mi

    O que tem na nossa estante

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  6. Adorei saber mais sobre esse livro e tenho vontade de ter ele na estante para ler.
    Bjs
    http://eternamente-princesa.blogspot.com.br/

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  7. Nunca li, mas até já tinha ouvido falar. Acho que como não era muito meu estilo, nunca fui muito atrás, mas até que lendo agora sua resenha, achei uns pontos muito legais e interessantes. me deu até uma curiosidade :)

    www.vivendosentimentos.com.br

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  8. Oi Carla! Se tem um gênero perfeito em clássicos, é o romance. São muito bem elaborados, com tramas envolventes e personagens marcantes. Adoro um bom clássico, e este vai para a lista.
    Beeijos
    http://lua-literaria.blogspot.com.br/

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  9. Carla!
    As irmãs são bem conhecidas e seus clássicos ótimos de serem lidos.
    Não li esse ainda, mas espero faz^-lo quando puder.
    Muito boa sua análise.
    “Não há lugar para a sabedoria onde não há paciência.” (Santo Agostinho)
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    cheirinhos
    Rudy
    http://rudynalva-alegriadevivereamaroquebom.blogspot.com.br/
    TOP Comentarista de junho com 3 livros 3 ganhadores, participem!

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  10. Olá, Carla.
    Ainda não conhecia esse livro apesar dele ser um clássico. Espero que a escrita das irmãs seja bem diferente, porque achei O morro dos ventos uivantes muito chato. Gostei bastante da nova edição e vou anotar aqui para uma futura leitura.

    Blog Prefácio

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  11. Oi, Carlinha

    Eu nunca li nada das irmãs Brontë, acredita? Confesso que quase entrei na onda de ler O Morro dos Ventos Uivantes quando ele foi mencionado um milhão de vezes em Crepúsculo, mas preferi esperar eu ter vontade de ler pq quero ler, dá pra entender? Hahahaha
    Shirley parece ser uma história interessantíssima, rica e bela, como são todos os clássicos, afinal. Adoro livros com mulheres fortes, a frente do seu tempo! Adorei a resenha! Vamos ver se retiro essa mancha e leio algo das irmãs! Beijos

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  12. Oi Carla, tudo bem??? Eu amooooo O Morro dos Ventos Uivantes e por causa disso tenho muita vontade de ler os livros das irmãs de Emily. Ainda não consegui tempo para fazer isso, mas tenha minha palavra de que farei :)
    Esse eu ainda não conhecia, mas adorei conhecer através da sua resenha. Com certeza vai para a lista :)
    beijooos
    http://profissao-escritor.blogspot.com.br/

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  13. Oi! Eu não sabia que tinha mais de uma Bronte kkk achei que era apenas uma. Nunca li nada delas, mas como não sou fã de clássicos acabo deixando de lado. :\
    Beijos
    Estilhaçando Livros

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  14. Eu sou muito apaixonada pelos livros da Pedrazul, as edições deles são perfeitas. Estes últimos publicados eu ainda não li, mas com certeza estão na fila de espera, principalmente este da Charlote que é a única das irmãs Brontë que eu ainda não li...

    Beijo, Van - Retrô Books
    http://balaiodelivros.blogspot.com.br/

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