Resenha: Flor de Cerejeira - Alana Gabriela

Sinopse: Yoko sempre teve uma vida relativamente boa e estável, participava da organização do Festival Cherry Blossom, tinha amigos com quem contar na escola, tocava violino e estava treinando para fazer parte da orquestra da Juventude de Macon quando tudo começou a dar errado. Seu pai se envolveu num grave acidente, que acabou matando um pai de família e, foi parar na prisão. Sem a referência paterna, e com todos os problemas financeiros que se acumulam, o distanciamento da mãe, Naomi, que está a cada dia mais se afundando em trabalho, Yoko vê o que sobejou, de sua família, totalmente desestruturado. Em meio à dor da perda, Yoko conhece Aidan Hirsch, um garoto que parece tão desestruturado quanto ela, taciturno e solitário, e que é capaz, acima de tudo, de não julgar, simplesmente ouvir. Aos poucos, um sentimento singelo e inefável ganha forma, surgindo uma história delicada de autoconhecimento, arrependimento, culpa e superação que poderá mudar a vida desses adolescentes se assim escolherem.

Yoko era só mais uma adolescente da cidade de Macon. Vivia com os pais, frequentava a mesma escola há tempos, tocava violino e adorava cerejeiras. Sua vida normal e tranquila deixa de existir após seu pai ser condenado por atropelar um homem e fugir sem prestar socorro. O acidente transforma a vida das duas famílias: de um lado, uma mulher viúva e dois garotos sem pai; de outro, um homem na cadeia, uma mulher que precisa trabalhar o dobro para arcar sozinha com as despesas da casa e uma menina que passa a ser vítima de bullying.

Após o acidente, Yoko passa a ser vista como a filha de um assassino. Não era ela que estava ao volante, não foi ela que deixou de prestar socorro, mas pouco importa. Suas amigas se afastam, ninguém se junta a ela na sala de aula nem na hora do almoço e comentários maldosos são ouvidos o tempo inteiro. A adolescente chega a ser vítima de agressão de um grupo liderado pelo filho mais velho do homem atropelado.

Yoko está confusa. Ama o pai, mas sente raiva por tudo o que aconteceu, por seu ato irresponsável ter causado um estrago tão grande. A ambivalência de sentimentos chega ao ápice quando ela sequer consegue abrir uma das cartas do pai, que antes eram lidas e respondidas prontamente. O olhar do filho mais novo da vítima durante o julgamento constantemente lhe vem à memória. E um sentimento de culpa se torna cada vez maior. Seu pai está preso, mas está vivo. Já o do pequeno menino jamais voltará para casa. Ao que parece, é essa culpa que faz com que Yoko aguente calada e de forma passiva todos os insultos que ouve e todas as situações desagradáveis pelas quais passa. São castigos pelo erro cometido, ainda que não tenha sido por ela.

Em meio ao caos que vive, um novo personagem entra em sua história: o calado, estranho e explosivo Aidan. Sua fama no colégio é péssima e envolve brigas e até prisão. Mas ele é o único aluno de sua turma disponível e disposto a fazer com ela um trabalho pedido pela professora. Os primeiros contatos são difíceis, Aidan faz jus à sua fama, mas aos poucos surge uma amizade que será importante para os dois. O rapaz também tem uma história difícil e um passa a ajudar o outro de uma maneira bem bonita.

Em Flor de Cerejeira, Alana traz ao leitor uma história contada a partir de uma perspectiva diferente, afinal, é comum acompanharmos tramas que narram o lado das vítimas. A possibilidade de tomar conhecimento de como vive a família de um acusado e das consequências que o ato de uma pessoa pode ter na vida daqueles que o cercam, mas que nada têm a ver com o fato, foi uma novidade interessante. Através das atitudes dos personagens a autora nos mostra também a maldade e a injustiça dos que clamam, ironicamente, por justiça.

O livro aborda ainda temas como bullying, agressão e culpa. Apesar dos assuntos não serem leves, a leitura não é pesada. A escrita da Alana é fluida e as pouco mais de trezentas páginas passam sem que a gente se dê conta.

Yoko é uma personagem que desperta de cara a empatia do leitor. É impossível não se comover com sua história, não ter vontade de emprestar os ouvidos e o colo para ela. É forte e frágil na medida certa e vai pouco a pouco conseguindo apreender tudo o que aconteceu, lidar com seus sentimentos e achar a melhor maneira de se portar diante das consequências do acidente causado por seu pai. Ela cresce durante a trama e torci por ela a cada página que virava. Aidan é uma peça importante para o desenrolar da história de Yoko, mas não é construído como um príncipe encantado e salvador. Ele caminha lado a lado com a menina, e não por ela.

Apesar de viver seu próprio drama, Yoko nunca deixou de olhar para o outro, o que fica claro na sua preocupação com a família da vítima e, depois, com Aidan. Por isso a mensagem mais forte que o livro deixou para mim é a necessidade de julgarmos menos e fazermos cada vez mais uso da empatia.


Sobre a autora:


Alana Gabriela, 20 anos, tem o maior sorriso já visto ever. Sergipana, estudante de Letras Português-Inglês na UFS, escreve, compõe, assiste muitas séries, tipo: The Blacklist, The Walking Dead e Grimm. Escuta muita música, mas tem preferência por Hard Rock, R&B, Jazz, Indie e Soul.






*E-book cedido pela autora.



6 comentários:

  1. Oi, Carla!
    Eu gostei muito desse livro. Realmente as páginas passam rapidinho.
    A Yoko é muito amorzinho. Dá vontade de protegê-la.
    Beijos
    Balaio de Babados
    Participe da promoção 5 Anos de Além da Contracapa

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  2. Adoro livros que abordam esses temas assim! Fiquei curiosa <3

    xox
    Próxima Primavera

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  3. Oi Carla, eu AMEI a sua resenha!
    Não conhecia o livro e confesso que quando olhei a resenha e tal, não dei nada para a história, mas após ler a sua resenha, paguei minha língua. rs
    Está na lista!
    Beijos*
    https://umminutoumlivro.blogspot.com.br/
    https://sonhoscriveis.blogspot.com.br/

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  4. Ainda não conhecia esse livro, e agora posso dizer que quero lê-lo desesperadamente! A maioria dos livros foca mesmo só no lado da vítima, e por esse mostrar os dois lados da história, desperta mais ainda a curiosidade. Adorei mesmo a premissa, o fato de a autora ter conseguido incluir assuntos importantes e polêmicos entre os jovens, só achei que a capa não combinou muito com toda a vida sombria e sofrida dos personagens, mas dá pra entender por conta da cerejeira

    xx Carol
    http://caverna-literaria.blogspot.com.br/

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  5. Que capa maravilhosa! Não conhecia o livro, gostei da história. A Yoko parece ser uma menina forte e eu admiro muito isso em personagens femininas, muitas vezes retratadas como frágeis e como alguém a ser salva. Ótima resenha, como sempre. Bjks!

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  6. Helloo, Carla! Tudo numa nice?!
    Desculpa eu não ter vindo aqui antes ou ter me pronunciado, essa semana foi cheia para mim, mas no mesmo dia que você enviou a resenha eu li. Muito obrigada, eu amei a maneira que você trabalhou a resenha e como trouxe pontos relevantes da estória para o texto. Sério. Muito obrigada por ter lido!! *-*
    Beijin...

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