Resenha: As cordas mágicas - Mitch Albom

Sinopse: Francisco Presto nasceu numa pequena cidade da Espanha em plena guerra civil. Com a infância marcada por tragédias, Frankie se torna pupilo de um professor de música cego, que se dedica a lhe ensinar tudo o que sabe. Ao completar 9 anos, ele foge para os Estados Unidos carregando consigo apenas seus bens mais preciosos: um violão e seis cordas mágicas. Com um talento fora do comum para tocar e cantar, Frankie rapidamente alcança o estrelato e influencia o cenário musical do século XX, apresentando-se ao lado de nomes consagrados como Elvis Presley e Little Richards. No entanto, seu dom se transforma em um terrível fardo quando ele percebe que pode afetar o futuro das pessoas: uma corda de seu violão fica azul cada vez que uma vida é alterada. No auge do sucesso, assombrado por seus erros e por seu estranho poder, Frankie sai de cena por anos, apenas para ressurgir para um espetacular e misterioso adeus.

Francisco de Asís Pascual Presto nasceu em Villareal, uma pequena cidade da Espanha. Com o país passando por uma guerra civil, sua vida foi marcada por tragédias desde o primeiro segundo fora do ventre de sua mãe. Mas nesse mesmo segundo, suas pequenas mãozinhas agarraram o talento destinado a ele, a música, que salvou sua vida naquele dia e seria sua fiel companheira para sempre. 
"Você me acha afetada? Às vezes sou. Também sou meiga e tranquilizadora, dissonante e irada, difícil e simples, calmante como areia a escorrer e perfurante como uma alfinetada. Sou a Música."
Devido aos primeiros acontecimentos de sua infância, Francisco foi criado por um homem chamado Baffa Rubio, que lhe deu todo o amor de pai. Com medo que o menino terminasse cego de tanto esfregar os olhos e não conseguisse arrumar um bom trabalho quando adulto, fez com que frequentasse aulas de violão ainda bem pequeno. Já tinha visto um homem que não enxergava ganhar dinheiro com suas apresentações. 

Durante anos, no apartamento em cima da lavanderia da rua Crista Senegal, Francisco teve aulas com o chamado El Maestro, o violonista cego que Baffa tinha visto tocar em uma taverna anos antes. Com ele, conheceu obras de grandes compositores, aprendeu a tocar violão como ninguém e a respeitar a música como se deve. Apesar do jeito às vezes estúpido, o professor se importava com o menino e se tornou uma referência para ele. 

Aos 9 anos ele precisou deixar o país. Passou por muitos lugares, conheceu muita gente, inclusive nomes importantes da música, e, já nos Estados Unidos, virou Frankie Presto. O violão já não era seu único talento, Frankie cantava, dançava e compunha. Apresentou-se com grandes nomes, foi capa de revistas, apareceu nos mais importantes programas de TV e vendeu milhões de discos. A vida pessoal foi turbulenta a maior parte do tempo e sua vida chegou ao fim de um modo bastante estranho.

A última frase não foi um spoiler, o livro começa no funeral de Frankie. Pelas mãos da Música, nossa narradora, somos levados a conhecer a fundo o passado do talentoso músico, desconhecido do grande público, mas bem conhecido por ela. Colocar a Música narrando a história foi um acerto e tanto! Sensível e delicada e ao mesmo tempo forte e poderosa, ela faz observações quase poéticas e provoca reflexões o tempo inteiro a respeito de atitudes humanas. Quase todos os post-it que coloquei no livro estão marcando frases dela. Mitch Albom conseguiu dar voz a um talento de um jeito impressionante, ficou fácil acreditar que a Música diria mesmo aqueles coisas, caso pudesse.
"Eu tenho o poder de fazer você recordar-se das coisas. Absorvo suas memórias; quando me ouve, você revive as lembranças. Uma primeira dança. Um casamento. A canção que tocava quando você recebeu uma grande notícia. Nenhum outro talento proporciona uma trilha sonora para a sua vida. Sou a Música. Marco o tempo."
O autor utilizou um recurso para contar a história de Frankie de um jeito diferente e interessante: enquanto as pessoas estão chegando ao funeral, uma cobertura jornalística está sendo feita. Uma a uma, as pessoas que conheceram e trabalharam com ele dão declarações a respeito de como era o falecido artista, como o conheceram e narram experiências vividas com ele. Essa espécie de entrevista traz um tom coloquial para a narrativa, fazendo com que toda a trama soe muito real. As declarações são construções de Mitch, mas os nomes das pessoas são verdadeiros e vão de Paul Stanley, vocalista do KISS, até Ingrid Michaelson. 

O livro não segue uma ordem cronológica e intercala a narração feita pela Música - que é mais linear e começa no nascimento de Frankie - e as declarações dadas pelos artistas. Muitas coisas citadas por estes últimos são detalhadas mais para frente, conforme a Música avança em sua narração. Tudo se encaixa, tudo é explicado e quando conhecemos certas histórias em detalhes, vem o satisfeito "Ahhh, então foi assim". Não há pontas soltas e o autor não se perde, apesar da quantidade imensa de histórias vividas por Frankie.

"E as cordas mágicas, Carla?", você deve estar se perguntando. E eu respondo: elas não são tão centrais na trama quanto a sinopse dá a entender. O que não significa que não sejam importantes. Uma após a outra, as cordas do violão que Frankie possui desde que era apenas um menino ficam azuis quando uma vida é alterada. Mas o livro é muito, muito mais do que uma busca por respostas sobre isso. Frankie entende o significado das cordas azuis mais para o final do livro e a gente entende junto. A razão das cordas ficarem azuis não é algo isolado, se conecta a toda a história do livro.

O grande destaque da trama é mesmo a música e todo o seu poder de transformação. Ela salva Frankie quando a música que sua mãe canta faz com que ele fique em silêncio e escape da morte, proporciona fama e boa vida quando seu talento é reconhecido, mas também traz perdas e sofrimento quando sua ambição fala mais alto que seu amor por ela. 
"A verdade é luz. Mentiras são sombras. A música é ambas."
Em As cordas mágicas, Mitch Albom misturou um personagem com pessoas reais, histórias fictícias com fatos verídicos. Seu Frankie foi a uma festa com os Beatles, tocou com Elvis, fez uma audição para o KISS e foi parar até em Woodstock, onde pôde ouvir a poderosa voz de Janis Joplin. São muitas as referências e muitas as personalidades, mostrando que pesquisas e criatividade não faltaram. O livro é uma grande biografia de um artista que sequer existiu. Eu fiquei presa nas páginas do início ao fim. E se você é fã de música e de boas histórias, com certeza ficará também.

Não posso terminar esse post sem mostrar pra vocês duas coisas muito legais. No canal do autor no YouTube há uma playlist chamada Who is Frankie Presto? (Quem é Frankie Presto?) com vários vídeos de artistas citados no livro dando suas declarações. Ingrid Michaelson fala sobre as aulas que teve com ele e Paul Stanley conta como foi a audição que Frankie fez para tentar fazer parte do KISS, entre outros. A outra coisa é que as músicas da carreira de Frankie Presto foram gravadas! Você pode ouvi-las na playlist do Spotify, que traz também músicas citadas ao longo do livro.

Termino essa resenha, que ficou grande como eu previa e não chegou nem perto de passar tudo o que o livro me fez sentir, com um dos maiores sucessos da carreira de nosso protagonista:




*Exemplar cedido pela editora

16 comentários:

  1. Oi, Carla!
    Uau! Eu tinha uma ideia completamente diferente do livro. E não sabia que envolvia músicas. Tenho um fraco por livros assim.
    Beijos
    Balaio de Babados

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  2. Wow! Concordo com a Luiza aqui em cima, eu imaginava algo bem diferente. De fato a sinopse dá a entender que o foco do livro são as tais cordas. Eu fiquei pensando que o livro era meio de fantasia, sabe? Achei genial a forma como você diz que o livro foi construído. A música narrando? Fantástico! Artistas de verdade fazendo declarações? Geniais! Já estou doida pra ler e pra conhecer todas as histórias. Colocar o personagem em eventos que realmente aconteceram deve ter rendido muito!
    Por último, parabéns pela resenha super detalhada e cuidadosa. Amei poder ter acesso aos vídeos dos artistas, eles parecem realmente ter conhecido o Frankie! Surreal! Que viagem deliciosa! Kkkkkk! E já estou in love com a música. Tem certeza que ele não é de verdade? Kkkkkkkkkkk!
    Bjks, Carlinha!

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  3. Oi, Carla!
    Ainda não tinha visto nenhuma resenha sobre esse livro e, nossa, fiquei surpresa ao conhecer o enredo. Eu sou fã de música e não vivo sem. Passei anos da minha vida dedicando-me ao piano e a música clássica, então quando vejo uma obra relacionada à música, fico interessada na hora e sua resenha aumentou ainda mais meu interesse. Obrigada pela dica! ^^
    Beijos!

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  4. Oi, Carla!
    Gosto muito quando os autores abordam música nos temas de seus livros, esse eu gostaria de ler, já que a narrativa prende tanto o leitor!

    Beijos,
    Eli - Leitura Entre Amigas
    http://www.leituraentreamigas.com.br/

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  5. Oi Carla! Que livro diferente, eu achei a premissa original e todas estas referencias musicais são fabulosas. Eu quero ler.
    Bjos!! Cida
    Moonlight Books

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  6. Oi Carla!
    Que interessante, a música ser quem narra a história. E outro ponto interessante também é o fato de ter reflexões. Não conhecia o livro, mas já fiquei interessada!

    Beijos.
    www.pagindaleitura.blogspot.com.br

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  7. Oi Carla,
    Falou em música já me deixa encantada, quero conhecer.
    Eu já tinha curtido o livro pela sinopse e a capa, ainda não havia lido nenhuma opinião sobre e ele e adorei essa forma que o autor usa da entrevista pra dar tom a narrativa. Super quero e ótima resenha.

    tenha uma ótima quinta :D
    Nana - Obsession Valley

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  8. Olá, Carla.
    Me arrependi de não ter solicitado esse livro agora que li sua resenha. Mas vou ler ele ainda. A história parece ser maravilhosa e adoro livros assim que no final tudo se encaixa e a gente entende onde o autor queria chegar. Parabéns pela resenha.

    Prefácio

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  9. Tava muito afim de ler esse livro. Gostei muito da resenha. Parabéns!

    Beijos, Jé
    https://mamaeliteraria.blogspot.com.br/

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  10. Oi Carla, tudo bem?
    Livros + música é a combinação perfeita! Adorei saber disso.
    Beijos
    Quanto Mais Livros Melhor

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  11. Olá Carla!
    Eu já li um livro do Mitch Albom que se chama "As cinco pessoas que você encontra no céu" e gostei muito da escrita dele, tanto que até busquei por outros livros do autor. Eu cheguei a ver esse livro, porém não tinha lido a sinopse, nem resenhas sobre ele. Agora tendo conhecimento sobre o que se trata, estou louca para ler! Adorei sua resenha!
    Beijoos!
    Sonho Inverossímil

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  12. Acho que o que mais me interessou nesse livro é o fato de a Música ser a narradora da história. Me lembrou um pouco A menina que roubava livros, narrado pela Morte. São ideias bem diferentes e que, pelo visto, felizmente deu certo. Gosto muito de música, e a história parece ser maravilhosa!

    xx Carol
    http://caverna-literaria.blogspot.com.br/

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  13. Oi
    eu tinha visto essa capa, mas não sabia sobre o que ele falava, gostei de conhecer e saber sua opinião, legal que começa de uma forma cronológica, parece ser uma historia interessante.

    momentocrivelli.blogspot.com

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  14. Oi Carla!
    Não conhecia o autor e confesso que, pela capa, não teria parado nem mesmo para ler a sinopse (feio, né? Eu sei), mas adorei os seus comentários. Para começar, que narradora maravilhosa deve ser a Música (lembrei imediatamente da Morte de "A menina que roubava livros"). Fiquei bem curiosa. Foi para a minha listinha de desejados.
    Beijos,
    alemdacontracapa.blogspot.com

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  15. Oi Carla,

    A ideia desse livro é muito interessante. Um livro narrado pela música é diferente de tudo o que eu já li. As resenhas estão sendo muito positivas e estou bem curiosa. Não tinha me chamado a atenção antes, mas se tiver a oportunidade, lerei com certeza.

    Bjs, @dnisin
    www.sejacult.com.br

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  16. Adoro livros que faz referencias musicais, sem pesquiso na internet. adorei a premissa desse livro, essa resenha está maravilhosa beijos


    Taynara Mello
    www.indicarlivros.com

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