Uma noite como esta (Quarteto Smythe-Smith #2) - Julia Quinn

Sinopse: Anne Wynter pode não ser quem diz que é… Mas está se saindo muito bem como governanta de três jovenzinhas bem-nascidas. Seu trabalho é bastante desafiador: em uma única semana ela precisa se esconder em um depósito de instrumentos musicais, interpretar uma rainha má em uma peça que pode ser uma tragédia ou, talvez, uma comédia – ninguém sabe ao certo – e cuidar dos ferimentos do irresistível conde de Winstead. Após anos se esquivando de avanços masculinos indesejados, ele é o primeiro homem que a deixa verdadeiramente tentada, e está cada vez mais difícil para ela lembrar que uma governanta não tem o direito de flertar com um nobre. Daniel Smythe-Smith pode estar em perigo… Mas isso não impede o jovem conde de se apaixonar. Quando ele vê uma misteriosa mulher no concerto anual na casa de sua família, promete fazer de tudo para conhecê-la melhor, mesmo que isso signifique passar os dias na companhia de uma menina de 10 anos que pensa que é um unicórnio. O problema é que Daniel tem um inimigo que prometeu matá-lo. Mesmo assim, no momento em que vê Anne ser ameaçada, ele não mede esforços para salvá-la e garantir seu final feliz com ela.

Segundo livro da série Quarteto Smythe-Smith, Uma noite como esta traz a história de Daniel, irmão de Honoria, a protagonista do livro anterior. No prólogo, ficamos sabendo com mais detalhes do acontecimento que fez o único filho homem de lady Winstead deixar a Inglaterra.

Três anos depois, Daniel está de volta. E chega bem no dia do concerto anual das Smythe-Smith! Nesse ponto, as histórias dos dois livros se encontram e passam a ocorrer simultaneamente. Mas enquanto em Simplesmente o paraíso o foco estava em Honoria e Marcus, o segundo livro lança luz ao que acontecia com outros dois personagens, Anne e Daniel.

Quando uma das meninas do quarteto não pôde tocar, a solução encontrada foi substituí-la por outra pessoa, mesmo não sendo da família. Imagine deixar o público sem o terrível maravilhoso concerto! A escolhida para a missão foi Anne Wynter, governanta das primas de Honoria. Ao chegar disfarçadamente e sem querer ser notado no salão onde o evento estava sendo realizado, a atenção de Daniel foi fisgada pela desconhecida de cabelos escuros e beleza única. A curiosidade logo deu lugar a uma vontade irresistível de beijá-la.

Anne percebeu o olhar que a fitava. Depois de oito anos se escondendo e desconfiando de todos ao redor, aprendeu a perceber esse tipo de coisa. Por isso, depois que a última nota foi tocada, ela saiu às pressas do palco. Mas aquela era a casa de Daniel, ele conhecia cada pedaço, cada esconderijo e não demorou a encontrá-la. Ao descobrir que ele era o conde de Winstead, Anne se deu conta de que o perigo que corria era de outro tipo.

Se o primeiro livro da série foi calmo e trazia um amor doce, este segundo volume apresenta ao leitor uma história com certa carga de tensão e um romance mais quente. Daniel ainda tem medo de que os envolvidos com sua saída do país anos antes não tenham desistido de lhe fazer mal e Anne vive assustada com a possibilidade do passado bater à sua porta, revelando tudo o que tem batalhado para manter em segredo e até, quem sabe, acabando com a sua vida. Mesmo com as preocupações de ambos, a atração encontra espaço para se manifestar, e ela é forte.

Daniel passa a cercar Anne, mesmo que ela diga que os dois não devem se ver. Ele é um conde, ela é uma governanta e a sociedade impõe certas regras e estabelece alguns limites, os dois nunca poderiam ficar juntos. A insistência em um contato que era visto como inadequado poderia custar o emprego da moça e a sua reputação (que muita gente acha importante hoje em dia, imagine naquela época), mas Daniel parece não ouvir. E então arruma desculpas para visitar  a casa da tia e todo tipo de pretexto para estar perto de Anne, ainda que ela peça claramente para que ele não faça isso. A insistência dele me incomodou muito! Mas nada me incomodou tanto quanto estas frases:
"Eu dificilmente teria tempo para violentá-la, mesmo que fosse a minha intenção. E posso lhe garantir que não é."
Diante do susto de Anne, Daniel diz mais de uma vez que era uma brincadeira. E a história segue, ainda que para mim tenha dado uma emperrada. Anne pode não ter mostrado indignação no momento por ele ser um conde e ela uma governanta, mas ela sequer pensou sobre isso depois, foi como se ele não tivesse falado nada demais. A ideia que o trecho me passa é: ele não vai fazer porque não é a intenção dele, não porque é algo absurdo. A frase ficou pior ainda por ter saído da boca de um homem que estava apaixonado. E o fato de na época algumas coisas serem, de certa forma, normais, não impede que eu me incomode ao me deparar com elas. Fui chamada de imatura - por uma mulher - por ter me incomodado com o trecho, mas... Sigamos!

Achei Anne uma personagem pouco firme. Sabemos através de seus pensamentos que ela também deseja estar com Daniel, mas ela decide que o certo é manter distância e diz "não" repetidas vezes para as tentativas de aproximação dele... só para ceder logo depois. Ela diz uma coisa, mas faz outra. A presença constante de Daniel faz seu interesse por ele aumentar a cada dia, tornando ainda mais difícil manter a postura que acha adequada.

A leitura me deixou muito dividida, tanto que só consegui parar para escrever a resenha quase uma semana depois de ter concluído a leitura, geralmente escrevo logo ao terminar. As atitudes de Daniel me incomodaram, imagino que a intenção era fazer parecer romântica a tentativa insistente de um homem em conquistar uma mulher, mas não consegui ver dessa forma. Ao mesmo tempo, ele teve comportamentos irretocáveis em outros momentos. O mesmo aconteceu com Anne, que me irritou em algumas ocasiões, mas despertou minha admiração em situações nas quais mostrou coragem e capacidade de se defender sozinha.

Uma noite como esta é bem mais movimentado que seu antecessor. Conhecemos dois jovens que tiveram suas vidas marcadas pelo ódio e pelo medo. O passado de ambos faz com que o livro tenha alguns momentos de tensão, e foi só neles que pude finalmente acreditar no amor do casal de protagonistas, ainda que eles não tenham me conquistado. Há também momentos divertidos, quase todos protagonizados pelas pupilas de Anne.

A narrativa de Julia Quinn continua excelente no que diz respeito a prender o leitor do início ao fim. A costura entre os dois livros também é super bem feita, deu pra realmente sentir que os fatos iniciais narrados no segundo estavam acontecendo nos "bastidores" da parte final do primeiro. Os livros até podem ser lidos separadamente e fora da ordem, mas acho que ler na sequência proporciona uma melhor experiência de leitura, já que os personagens de um aparecem no outro e as histórias, apesar de independentes, conversam entre si.  A leitura foi rápida e fluiu bem, mas Simplesmente o paraíso, com toda a sua leveza e enredo sem grandes reviravoltas, é o meu preferido da série até aqui.

*Exemplar cedido pela editora.


15 comentários:

  1. Oi??? Imatura é quem fez um comentário sem noção desses. Liga não Carla, tem gente que distribui grosserias de graça. Tenho que dizer que estou aliviada por ter lido sua resenha porque esse pequeno trecho também soou bem horrível pra mim. Li um bom número de resenhas e só uma tinha opiniões parecidas com as suas, depois te passo o link se você quiser. Como você disse, não é porque era normal na época que a gente tem que ler hoje em dia e achar lindo e não sentir nada e não achar péssimo. Entender o que acontecia em um período histórico é uma coisa, concordar e achar normal é outra bem diferente. Também achei o Daniel meio stalker! Heheheh! Se fosse mulher, iam chamar de chata!!! Kkkkkk! Nunca comento, mas essa não podia deixar passar. Beijos!

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    1. Oi, Cris! Você viu, menina?! Eu apaguei para evitar confusão, mas fiquei com tanta vontade de responder! Rs! Acho que existem diversas maneiras de discordar da opinião de alguém, mas algumas pessoas escolhem ser grosseiras e desrespeitosas sem qualquer necessidade. Opiniões diferentes das minhas sempre serão bem acolhidas aqui, afinal, histórias podem ser interpretadas de diversas formas e o diálogo é algo super saudável. O que jamais terá vez aqui é falta de respeito.

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  2. Oi, Carla.
    Ainda não tinha visto que o blog estava de carinha nova, como ficou lindo. ♥
    Há eu quero tanto começar essa série da Julia, ainda mais por ela ser menor rs.
    E romance é tudo de bom né.
    Beijo

    Te Conto Poesia ♥

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  3. Oi Carla,
    Acho incrível como tem gente que curte dá desculpa estúpida pra defender personagem escroto. Não importa a época que se passa, incomoda ler sim e não tem nada de imaturo. O personagem parece stalker e já comecei a não indo com a cara dele. Me deu a impressão que pelo fato dela ser uma governanta e ele um conde, ele deduziu que seria fácil tê-la. Adorei a resenha!

    tenha um ótimo final de semana :D
    Nana - Obsession Valley

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    1. Um stalker de época, Nana! Hahahaha! Essa coisa de ficar cercando e insistindo não foi romântica pra mim, achei meio invasiva. Sobre ela ser governanta, eu até achei que ele não se aproveitou disso, não, sabe?!

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  4. Gostei da sua opinião sincera, infelizmente existem pessoas assim. Adorei a resenha, pretendo comprar o primeiro. Não sei se você sabe, mas domingo tem tarde de autógrafos com a autora no rio, shopping LeBlon as 14 hs. Queria muito ir. Beijos

    Taynara Mello www.indicarlivros.com

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  5. Oi Carla,
    Quero taaaaaaaaaaaaanto ler esse livro.
    O número 1 me encantou e já quero emendar essa leitura.
    Adorei!
    Beijos
    http://estante-da-ale.blogspot.com.br/

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  6. Olá, Carla.
    Eu não vi o livro e a cena da mesma maneira que você. Não achei que ele tivesse essa intenção ao dizer o que disse. Mas cada um tem sua opinião hehe. E era normal na época sim, principalmente para quem não pertencia a nobreza, mas como lemos hoje, é claro que temos que discordar sim. Mas como disse eu não achei que ele teve essa intenção.

    Prefácio

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  7. Oi
    primeiramente que layout lindo esse.
    Eu quero ler essa série de livros, parece ser envolvente, mas confesso que essa frase que você colocou no poste da fala me incomodou, mas mesmo assim não diminui minha vontade d ler ele, a escrita da autora é bem envolvente.

    http://momentocrivelli.blogspot.com.br/

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    1. Obrigada, Denise! ^_^
      Sobre o livro, leia sim! Não gostei de algumas coisas, mas o livro tem muitos pontos positivos. A escrita da Julia é uma delas! ;)

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  8. Oi Carla,

    O primeiro livro foi mais tranquilo mesmo, não me agradou muito o romance tão focado na doença do Marucs e sem muitas cenas deles juntos. A minha expectativa para esse segundo tá bem grande, espero gostar mais da leitura.

    Bjs, @dnisin
    www.sejacult.com.br

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  9. Oi Carla! Pelo visto a série fica melhor a cada volume, que bom que a Editora lançou logo os quatro para podermos nos divertir bastante.

    Bjos!! Cida
    Moonlight Books

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  10. Oi Carla! Eu tb achei mais movimentado que o primeiro e curti a história. E essas capas estão lindas né?

    Bjs, Mi

    O que tem na nossa estante

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  11. Olá Carla, tudo bem?
    Até agora, só li o primeiro da série, e amei!
    Apesar das divergências, espero gostar do segundo também. E mal posso esperar pra ler toda a serie,hahaha.
    Beijos!

    Http://excentricagarota.blogspot.com.br

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  12. Oi Carla, tudo bem?
    Estou louca para começar a ler essa série da Julia. Estou lendo as dos Bridgertons e estou adorando!
    Beijos
    [SORTEIO]Baile Literário
    Quanto Mais Livros Melhor

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