Resenha: O peso do pássaro morto - Aline Bei

Sinopse: A vida de uma mulher, dos 8 aos 52, desde as singelezas cotidianas até as tragédias que persistem, uma geração após a outra. Um livro denso e leve, violento e poético. É assim "O peso do pássaro morto", romance de estreia de Aline Bei, onde acompanhamos uma mulher que, com todas as forças, tenta não coincidir apenas com a dor de que é feita.

"Quantas perdas cabem na vida de uma mulher"? A pergunta que abre o texto da orelha do livro de  estreia de Aline Bei já deixa claro o que o leitor encontrará ao longo de suas 165 páginas. O peso do pássaro morto traz a história de uma protagonista sem nome, contada dos 8 até os 52 anos. Uma história marcada por perdas significativas desde muito cedo.

Através de uma prosa desconstruída (ou seria um romance-poesia?), a autora nos leva a conhecer cada fase, cada dor, cada amor, cada perda. E a sentir cada uma dessas coisas bem de perto. A narrativa em primeira pessoa amadurece junto com a protagonista. Os pensamentos e o jeito de falar de uma criança são perceptíveis no primeiro capítulo e vão se tornando cada vez mais elaborados conforme ela envelhece.


será quem com o uso
um dia a lágrima acaba?, a vida
pode ser longa e eu não queria
virar
uma menina sem lágrima no meio do caminho

Os temas também acompanham seu crescimento, e vão desde a descoberta da morte, abuso, sexualidade até a vivência nada romantizada da maternidade.


ser adulto por vezes não deixa a beleza das coisas
entrar tão facilmente,
a gente começa a
desconfiar.

Apesar de seu tamanho, O peso do pássaro morto é uma obra para ser lida aos poucos. Precisa-se de tempo para respirar entre um acontecimento e outro. Não há tréguas, não há suavização dos fatos. Mas Aline escreve de forma tão bonita sobre coisas tão difíceis, que a gente prossegue.


não me importo - eu disse pra ele - que seja breve o
nosso encontro.
porque no tempo da minha
memória
somos pra sempre. não existe morrer dentro, é como
uma canção.
as canções não morrem nunca porque elas moram
dentro das pessoas que gostam delas.


Não é preciso ter passado por situações parecidas para se conectar com a protagonista ou para ser tocado por sua história. De formas diferentes, somos todos feitos dos nossos lutos, das nossas guerras particulares, dos nossos amores e nossas dores. Minha opinião sobre a leitura? Como li certa vez em algum lugar: "dói, mas tem poesia".

6 comentários:

  1. Oi
    não conhecia o livro, parece ser uma história profundo, só que pelo fato de ser escrita parecendo poesia não chama tanto a minha atenção, mas pelo que falou parece ser uma história bem reflexiva.

    http://momentocrivelli.blogspot.com

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  2. Olá!
    Não conhecia esta obra, parece ser bem tocante! As poesias parecem ser lindas.
    Beijos, Polly
    www.tudo-em-tres.blogspot.com

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  3. Nunca tinha ouvido falar desse livro, mas a história parece tocar o coração do leitor.. Adorei a indicação!

    www.vivendosentimentos.com.br

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  4. Oi, Carla!
    Só pelo título a gente já sabe como vai ser o clima da história... fiquei interessada, mesmo não sendo muito fã de poesia
    Beijos
    Balaio de Babados

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  5. Oie, tudo bem?
    Ainda não conhecia o livro, valeu pela dica!
    Blog Entrelinhas

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  6. Olá, Carla.
    Eu gosto muito de ler livros onde podemos acompanhar a vida da pessoa por anos assim. Vou anotar aqui e se der eu vou ler ele.

    Prefácio

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