Resenha: O Demonologista - Andrew Pyper

Para quem é apaixonado por livros como eu, o prazer dessa leitura já começa pela capa, que é linda, reproduzindo com perfeição a capa dura de um livro antigo e bem gasto. No interior, há várias ilustrações e as páginas tem um layout belo e diferenciado. Tudo estimula a curiosidade e a vontade de ler a história.

Não há nenhuma sinopse no livro, o que também aumenta o mistério. Eu não procurei tampouco por uma online, me deixei surpreender completamente. E valeu a pena.

O Demonologista conta a história de David Ullman, um professor universitário e estudioso especializado em obras religiosas que fazem referência a Satanás. Paradoxalmente ao campo ao qual dedicou sua vida profissional (e que custou muito de sua vida pessoal), o protagonista é totalmente cético no que diz respeito ao assunto.

Até que um dia, o que seria apenas uma viagem de trabalho inusitada e muito bem remunerada à Itália faz com que ele mude sua perspectiva descrente e saia em uma busca aparentemente impossível por seu grande amor, sua filha Tess, confrontando tudo aquilo que ele julgava saber sobre as forças do mal e utilizando de forma muito prática seu conhecimento teórico do assunto.

A leitura é fluida, estimulante e repleta de tensão e mistério. Nos sentimos como o próprio pai em busca da filha, descobrindo segredos e sendo chocados com revelações que distorcem nossas noções de realidade.

O livro faz inúmeras referências à obra prima "Paraíso Perdido" de John Milton. Mesmo não tendo lido esse clássico, a minha leitura não foi prejudicada. Acredito que quem leu a obra de Milton possa desfrutar ainda mais de "O Demonologista".

Para quem ficou interessado em ler, garanto que mistério, surpresa e sustos não vão faltar. Só não espere um final fechado, daqueles com tudo resolvido. Assim como a própria perspectiva do que é real e irreal e da existência do bem e do mal varia em cada um de nós, o desfecho dos acontecimentos será concluído por você, leitor. E a meu ver, é o que torna tudo mais interessante.

Vale ressaltar ainda que O Demonologista ganhou o Prêmio de Melhor Romance do International Thriller Writers Award (2014), concorrendo com autores como Stephen King. Entrou em diversas listas de melhores livros de 2013, foi finalista do Shirley Jackson Award (2013) e do Sunburst Award (2014), chegou ao topo da lista dos mais vendidos do jornal canadense Globe and Mail e foi publicado em mais de uma dezena de países. 

Caixinha de Correio


Olá, pessoal!
Maio já está no finalzinho, então chegou a hora de dividir com vocês o que chegou por aqui ao longo do mês.

Sinopse: Ao longo dos anos, Jean Taylor deixou de contar muitas coisas sobre o terrível crime que o marido era suspeito de ter cometido. Ela estava muito ocupada sendo a esposa perfeita, permanecendo ao lado do homem com quem casara enquanto convivia com os olhares acusadores e as ameaças anônimas. No entanto, após um acidente cheio de enigmas, o marido está morto, e Jean não precisa mais representar esse papel. Não há mais motivo para ficar calada. As pessoas querem ouvir o que ela tem a dizer, querem saber como era viver com aquele homem. E ela pode contar para eles que havia alguns segredos. Afinal, segredos são a matéria que contamina (ou preserva) todo casamento. Narrado das perspectivas de Jean Taylor, a viúva, do detetive Bob Sparkes, chefe da investigação, cuja carreira é posta em xeque pelo caso, e da repórter Kate Waters, a mais habilidosa dos jornalistas que estão atrás da verdade, o romance de Fiona Barton é um tributo aos profissionais que nunca deixam uma história, ou um caso, escapar, mesmo que ela já esteja encerrada.

Recebi "A Viúva" através de uma troca pelo Skoob. É um thriller psicológico, gênero que eu adoro, por isso estou bem curiosa, apesar de já ter lido algumas opiniões não tão positivas a respeito dele.


Sinopse: Livro vencedor do "Prêmio São Paulo de Literatura 2018" na categoria "Melhor Romance de Autor Estreante com Menos de 40 anos". A vida de uma mulher, dos 8 aos 52, desde as singelezas cotidianas até as tragédias que persistem, uma geração após a outra. Um livro denso e leve, violento e poético. É assim "O peso do pássaro morto", romance de estreia de Aline Bei, onde acompanhamos uma mulher que, com todas as forças, tenta não coincidir apenas com a dor de que é feita.

Conheci "O Peso do Pássaro Morto" por uma pessoa que tem um gosto muito parecido com o meu. Provavelmente vai furar a fila dos livros a serem lidos!


Sinopse: Protagonista e narradora de Hibisco roxo, a adolescente Kambili mostra como a religiosidade extremamente “branca” e católica de seu pai, Eugene, famoso industrial nigeriano, inferniza e destrói lentamente a vida de toda a família. O pavor de Eugene às tradições primitivas do povo nigeriano é tamanho que ele chega a rejeitar o pai, contador de histórias encantador, e a irmã, professora universitária esclarecida, temendo o inferno. Mas, apesar de sua clara violência e opressão, Eugene é benfeitor dos pobres e, estranhamente, apoia o jornal mais progressista do país. Durante uma temporada na casa de sua tia, Kambili acaba se apaixonando por um padre que é obrigado a deixar a Nigéria, por falta de segurança e de perspectiva de futuro. Enquanto narra as aventuras e desventuras de Kambili e de sua família, o romance que mistura autobiografia e ficção, também apresenta um retrato contundente e original da Nigéria atual, traçando de forma sensível e surpreendente, um panorama social, político e religioso, mostrando os remanescentes invasivos da colonização tanto no próprio país, como, certamente, também no resto do continente.

Admiro muito a Chimamanda! Já assisti a vário vídeos de entrevistas e palestras dadas por ela, e li os livros a respeito do feminismo. "Hibisco Roxo" será meu primeiro romance da autora.


Sinopse: Imagine uma época em que os livros configurem uma ameaça ao sistema, uma sociedade onde eles são proibidos. Para exterminá-los, basta chamar os bombeiros - profissionais que outrora se dedicavam à extinção de incêndios, mas que agora são os responsáveis pela manutenção da ordem, queimando publicações e impedindo que o conhecimento se dissemine como praga. Para coroar a alienação em que vive essa nova sociedade, as casas são dotadas de televisores que ocupam paredes inteiras de cômodos, e exibem "famílias" com as quais se pode dialogar, como se estas fossem de fatos reais. Este é o cenário em que vive Guy Montag, bombeiro que atravessa séria crise ideológica. Sua esposa passa o dia entretida com seus "parentes televisivos", enquanto ele trabalha arduamente. Sua vida vazia é transformada quando ele conhece a vizinha Clarisse, uma adolescente que reflete sobre o mundo à sua volta e que o instiga a fazer o mesmo. O sumiço misterioso de Clarisse leva Montag a se rebelar contra a política estabelecida, e ele passa a esconder livros em sua própria casa. Denunciado por sua ousadia, é obrigado a mudar de tática e a buscar aliados na luta pela preservação do pensamento e da memória. Um clássico de Ray Bradbury, "Fahrenheit 451" é não só uma crítica à repressão política mas também à superficialidade da era da imagem, sintomática do século XX e que ainda parece não esmorecer.

"Fahrenheit 451" estava na minha lista de desejados há tempos! Finalmente está aqui na estante.


Sinopse: Aqueles que consideram “bruxa” um xingamento não poderiam estar mais enganados: bruxas são mulheres capazes de incendiar o mundo ao seu redor. Resgatando essa imagem ancestral da figura feminina naturalmente poderosa, independente e, agora, indestrutível, Amanda Lovelace aprofunda a combinação de contundência e lirismo que arrebatou leitores e marcou sua obra de estreia, "A princesa salva a si mesma neste livro", cujos poemas se dedicavam principalmente a temas como relacionamentos abusivos, crescimento pessoal e autoestima. Agora, em "A bruxa não vai para a fogueira neste livro", ela conclama a união das mulheres contra as mais variadas formas de violência e opressão. Ao lado de Rupi Kaur, de "Outros jeitos de usar a boca" e "O que o sol faz com as flores", Amanda é hoje um dos grandes nomes da nova poesia que surgiu nas redes sociais e, com linguagem direta e temática contemporânea, ganhou as ruas. Seu "A bruxa não vai para a fogueira neste livro" é mais do que uma obra escrita por uma mulher, sobre mulheres e para mulheres: trata-se de uma mensagem de ser humano para ser humano – um tijolo na construção de um mundo mais justo e igualitário.

Li o primeiro livro da Amanda - "A princesa salva a si mesma neste livro" - ano passado, mas só agora comprei o segundo. Já li alguns poemas e, por enquanto, o primeiro livro é o meu preferido entre os dois.

E o mês de vocês, como foi? 

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