Resenha: Até o fim - Anna Quindlen

Sinopse: Mary Beth Latham tem uma vida que considera perfeita. Muito dedicada à família, ao lado do marido Glen, construiu um lar feliz e saudável para Ruby, a filha mais velha, e para os gêmeos adolescentes Max e Alex. Mas, quando percebe uma mudança no comportamento de Max, há algum tempo deprimido e mais calado que o normal, Mary dedica toda sua atenção a ele. E é nesse momento que acontecimentos a princípio sem importância anunciam uma tragédia. Porém, ao se dar conta das rachaduras na redoma na qual instalou a família, já é tarde demais, e a sequência disso é a prova de todo amor e determinação de uma mãe e do poder que a esperança tem em nos manter vivos. Até o fim conta a trajetória de uma mãe que levou adiante uma vida com a qual jamais sonhou, mas que teve coragem suficiente para enfrentá-la.

Até o fim é narrado por Mary Beth. Mulher, esposa, mãe, paisagista. Dentre todos os papéis que exerce, o de mãe se sobrepõe a todos os outros. Apesar de  estável, há tempos o casamento com Glen não tem mais os rompantes de paixão de antes. Embora formada em outra área, escolheu uma profissão com horários mais flexíveis, que permitisse acompanhar de perto a vida dos três filhos: Ruby, Max e Alex. 

Ruby está no último ano da escola. É a adolescente brilhante e criativa, que customiza as próprias roupas e sonha em ser escritora. Aos 14 anos, os gêmeos Max e Alex são o oposto um do outro. Enquanto Max é introvertido e calado, Alex faz sucesso entre os amigos e como atleta estudantil. Ao redor deles, Mary Beth construiu sua vida.

Durante todo o livro acompanhamos bem de perto a vida da família através do olhar de Mary Beth: os jantares em família, as visitas de Sarah e Rachel, melhores amigas de Ruby, os jogos de Alex, o jeito cada vez mais fechado de Max... Ao ver tão de perto o que se passa atrás das paredes de uma casa, é claro que também ficam evidentes coisas que geralmente são escondidas na vida fora dali. Tomamos conhecimento dos problemas, dos segredos, dos ressentimentos, de coisas que são deixadas fora do foco em nome de uma vida tranquila.

A primeira metade do livro se desenrola sem que nada de extraordinário aconteça. Mas é possível sentir a tensão na narrativa da protagonista, a expectativa de que algo muito ruim está prestes a acontecer. E acontece. E que ninguém se engane, a tragédia que se segue tem muitas de suas origens narradas nas páginas anteriores, disfarçadas na aparente felicidade familiar. Eu tinha uma ideia do que aconteceria, mas errei feio! Totalmente guiada pelo olhar de Mary Beth, também só enxerguei o que ela enxergou. 

A partir daí, a narrativa passa a transmitir um sofrimento muito real. Anna Quindlen conseguiu colocar em palavras toda a dor sentida por Mary Beth, assim como seus questionamentos sobre se poderia evitar o que aconteceu e o sentimento de culpa por não ter visto mais, por não ter feito mais. As reações que se tem diante de situações tão difíceis e definitivas foram sensivelmente trabalhadas pela autora.


"Por alguma razão, eu me peguei repetindo em voz alta a palavra 'Chega.Chega.' Não que eu quisesse morrer; só não conseguia suportar a sensação interminável de estar viva".

Apesar de toda a carga dramática, a leitura flui muito bem. Fiquei totalmente imersa nos sentimentos da personagem, acompanhando todo o processo pelo qual ela estava passando, cada momento de tristeza, cada pequena melhora. A autora construiu com delicadeza o caminho cheio de altos e baixos percorrido por Mary Beth desde o dia em que sua vida mudou para sempre até as coisas voltarem a ter algum sentido.  Nada é forçado.

O início pode parecer um pouco lento para algumas pessoas, mas para mim foi mais um toque de realidade da trama, como se a ideia fosse justamente mostrar vidas comuns se desenrolando sem grandes sobressaltos durante um bom tempo, até que um acontecimento impactante muda tudo.

Até o fim prova que uma história não precisa contar com uma premissa mirabolante nem reviravoltas para ser boa. Prova também que nem sempre é preciso apelar para sentimentalismos exagerados para emocionar quem lê. 
  1. Oi, Carla como vai? Gostei da sua resenha, pois pude ver claramente o que esperar do livro caso eu o leia. Que bom que você gostou da leitura, pois me parece uma estória bastante factível e de carga dramática elevada. Abraço!


    https://lucianootacianopensamentosolto.blogspot.com/

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  2. Nossa, adorei sua resenha. O livro parece incrível.
    https://malivros.blogspot.com/

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  3. Oi Carla,

    Que bom que você curtiu a leitura. Não conhecia o livro, mas achei a premissa bem interessante.
    Dica anotada com certeza!

    Bjs e uma boa semana!
    Diário dos Livros
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  4. Oi, Carlinha

    Não lembro de ter visto esse livro por aí. Achei a proposta da trama riquíssima e posso imaginar o que acontece. Ou ao menos acho que posso. Com certeza leria para acompanhar a história dessa mulher, já vou deixar anotadinho aqui!

    Beijos
    - Tami
    https://www.meuepilogo.com

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  5. Oi, Carla!

    Fiquei curiosa pra saber que tragédia é essa que acontece, livros assim com um quê dramático que envolve família sempre acaba emocionando, e como a família já vinha vivendo em meio à tensão, a monotonia na leitura nos faz imaginar que algo de ruim está pra acontecer. Adorei a resenha!

    xx Carol
    https://caverna-literaria.blogspot.com/

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  6. Oi, Carla!
    Eu não tinha conhecimento desse livro. Mas adorei sua resenha, parece ser um livro muito bom. Que bom que curtiu a leitura, já anotei aqui para ler futuramente.

    Beijinhos!!
    http://focadasnoslivros.blogspot.com/

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  7. Oiii Carla

    Às vezes esse tipo de inicio mais lento é super necessário para permitir ao leitor conhecer os perosnagens mais intimamente, se prender à trama e se situar. Não conhecia esse livro, e fiquei contente em saber que apesar da carga dramática, a leitura flui bem. Fiquei curiosa.

    Beijos, Ivy

    www.derepentenoultimolivro.com

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  8. Olá,
    Ainda não conhecia este drama. Gosto de personagens escritores, e também gostei como a narradora conduz. Fiquei curiosa com a tragédia.

    até mais,
    Canto Cultzíneo

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  9. Olá, tudo bem ?
    Não conhecia ainda a obra. Me parece ser um enredo intenso e bem elaborado, mesmo com todos os autos e baixos, não torna o livro cansativo e monótono. Fiquei bem curiosa e vem como a autora amarrou todo esse processo. Anotei a dica.
    Beijos
    www.estilo-gisele.blogspot.com.br

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Carla

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CARLA. CARIOCA, CAPRICORNIANA E PSICÓLOGA. APAIXONADA, POR LIVROS, BRIGADEIRO DE PANELA E FILMES ANTIGOS.

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NATHALIA. CARIOCA DA GEMA, GEMINIANA, PEDAGOGA E JORNALISTA. VICIADA EM SÉRIES E LIVROS SOBRE CRIMES.

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RENATA. MINEIRA, TAURINA E ROMÂNTICA. LOUCA POR VINHO E TATTOOS.